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Não é distopia

Minha namorada está assistindo à série Severance, em que os funcionários esquecem quem são no momento em que entram no escritório. É perturbador — e estranhamente familiar.

Depois de três anos trabalhando em uma grande corporação brasileira, às vezes sinto que essa premissa não é ficção científica. Parece o sonho silencioso da burguesia: uma separação clara entre a pessoa e o trabalhador. Valores da empresa colocados acima dos valores individuais. Metas corporativas tratadas como mais urgentes do que sonhos pessoais.

Com o tempo, você começa a medir sua vida por métricas que nunca foram suas. Persegue objetivos que não escolheu. Fala uma linguagem que não é nativa da sua alma.

No fim, você corre o risco de viver uma vida desenhada por outra pessoa.

Triste, mas verdadeiro.