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Câmara Cascudo e Low Magic

Há muitos anos atrás li algumas obras do potiguar Câmara Cascudo, as quais me impactaram profundamente — talvez não pelo conteúdo acadêmico em si, mas pela reflexão paralela que naturalmente surge quando lemos grandes autores: “quão interessante é o modo de viver desse autor”.

Na visão do folclorista, tudo tinha um significado ancestral, passado de geração em geração. O espelho: um portal. O aperto de mão: um código complexo e milenar. Era como se tudo se tornasse mandinga e encantamento.

Se o escritor e ocultista Alan Moore vê magia no poder transformador da escrita, Câmara Cascudo ia além: qualquer nó, qualquer figa, qualquer mau-olhado, qualquer vogal, era fruto da mais alta magia popular.

Recomendo a leitura de Câmara Cascudo a todos que desejam se encantar com o mundo.